Untitled Document

 



 

VIAGEM AO MÉXICO

De 30 de maio a 05 de junho, Reinaldo e Pedro, veterinários da Fazenda Figueiredo, estiveram visitando o México juntamente com outras 11 pessoas, as quais formaram o "Profit Tour México", a convite e administração da empresa de sêmen CRI. Tivemos a oportunidade de conhecer 11 Fazendas de leite no México, nas quais nos chamou muito a atenção o profissionalismo e o tamanho das propriedades, podendo ver de perto o manejo, alimentação, genética, construções... Enfim, todos os detalhes das fazendas, dentre elas duas com mais de 15.000 vacas em lactação!

Dia 30 de maio ficamos na Cidade do México, 4ª maior cidade do mundo e 12ª mais populosa. A Cidade do México era a capital do Império Asteca, se chamava Tenochtitlan e foi completamente destruída pelos colonos espanhóis por volta de 1524, tendo sido reconstruída posteriormente nos padrões espanhóis. Daí se explica suas belas e grandes construções com inspiração barroca. Nesse dia, pudemos pela primeira vez experimentar a tequila e a culinária Mexicana, a qual podemos dizer que é bem "apimentada".

Dia 31 de maio pela manhã, visitamos o Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe, que é considerado o principal templo da Igreja Católica no continente americano, um dos mais visitados do mundo. Andando pela cidade vimos muitas igrejas, muitas mesmo, e pudemos sentir de perto a fé dos mexicanos. O santuário é composto por várias igrejas e capelas, dentre elas duas basílicas, uma do século XVI que ficou muito abalada pelo devastador terremoto de 1985, e outra nova, erguida após o terremoto. A Cidade do México foi construída em cima de um antigo lago aterrado. Ainda na parte da manhã chegamos às tão esperadas pirâmides dos Astecas na cidade de Teotihuacan, a 48 km da Cidade do México. É algo fora da nossa imaginação! Existem hoje duas grandes pirâmides (do Sol e da Lua), que na verdade são "templos". Lá a população subia 4 vezes por ano para rituais de sacrifício, sempre no início de cada uma das quatro estações do ano. Esses sacrifícios humanos eram em homenagem aos deuses, e eles acreditavam que isso poderia deixá-los mais calmos e felizes. O primeiro povo a morar nessa cidade foi o Teotihuacan e depois os Astecas. A cidade chegou a ter cerca de 250.000 pessoas e existiu aproximadamente 1.200 anos, de 400 anos antes de Cristo até 800 anos depois de Cristo. Eles desenvolveram muitas técnicas na agricultura, artesanato, arquitetura, e também tinham noção de astronomia e matemática, tanto que ergueram 3 pirâmides: do Sol, da Lua e da Terra.

Dia 01 de Junho já estávamos na cidade de Queretaro, a aproximadamente 217 km da Cidade do México. Logo após o café, tivemos uma apresentação do Sr. Humberto Sánchez, diretor da CRI México, sobre como é a realidade da atividade leiteira no México. A primeira fazenda que visitamos foi o Establo Pio X, que teve seu início em 1955 com vacas importadas do Canadá. Hoje conta com 960 vacas em lactação com 35 litros vaca/dia, 16% de taxa de prenhês, 174 dias de DEL, 13,6 meses de intervalo entre partos. É uma fazenda bem antiga, com pouca manutenção, muita produção, produzem sua própria energia e fazem compostagem com separação de sólidos do esterco. A Segunda fazenda, mais 210 Km adiante, foi o Establo Carranco, que teve início em 1885 e é o maior criador de Jersey da América Latina, tem 1.700 vacas em lactação com 27,4 litros por vaca/dia, 24% de taxa de prenhês, 185 dias de DEL, 13,2 meses de intervalo entre partos, 4,6% de gordura e 3,6% de proteína no leite. Ficamos surpresos pela dimensão da fazenda, pois até agora era a maior que tínhamos visitado. A família tem um laticínio na própria fazenda no qual fazem queijos especiais e regionais.

Dia 02 de junho, em Aguascalientes, a 295 km de Querétaro, saímos bem cedo em direção ao Establo San Francisco Del Castillo. Chegando lá já pudemos perceber que era uma fazenda típica Mexicana, com instalações muito simples, porém funcionais. Seu proprietário nos atendeu muito bem, disse que para ser um bom produtor de leite, primeiramente tem que ser um bom agricultor. Iniciaram em 1999, estão a aproximadamente 2.000 metros de altitude e com período de sol muito grande, o que explica um pouco das altas produções de silagem, com até 88 toneladas por há. Este estábulo conta com 590 vacas em lactação, 31 litros por vaca, 21% de taxa de prenhês. Logo depois, estávamos no Establo Mezquite, administrada pelo filho do proprietário, um jovem muito empreendedor. Ele nos afirmou que ainda serão o maior produtor de leite do México, que estão com uma fazenda toda nova, na qual têm uma rotatória de 52 postos com um moderno sistema de resfriamento de leite. Tudo muito caprichado, com plantas, rosas e arbustos plantados em meio a fazenda. Nos chamou a atenção o fato de que os barracões de vacas estão construídos em um nível muito alto, ou melhor, em um morro sem terraplanagem, o que pode estar prejudicando as vacas. Estão com 2.000 vacas em lactação, 28 litros por vaca/dia e 18% de taxa de prenhês. No final da tarde visitamos a Villa de Guadalupe, que teve início em 1940. Hoje é administrada por dois irmãos, um deles veterinário e com um filho também veterinário. Essa família é muito caprichosa, a sala de ordenha é impecável, o proprietário nos contou que 80% foi ele quem instalou, e ele fez uma mistura de marcas de ordenha com um capricho e eficiência sem igual. Eles nos disseram que usam sêmen da CRI há 18 anos, e que sempre deixou o programa fazer as escolhas pelos touros. Quando fomos ver as vacas de perto e principalmente o lote de novilhas, ficamos abismados com o alto padrão, muito uniforme, com belos sistemas mamários, pernas e pés, um gado do meio que não deixa a desejar em nada, com vacas de extrema produção. Os proprietários, no final da visita, nos levaram para conhecer seu pai, um senhor de idade bem avançada, mas com extrema alegria, o qual nos brindou com vários tipos de tequilas. Com toda certeza, uma das, se não a fazenda com maior eficiência: 750 vacas em lactação, 36 litros por vaca/dia, 22% de taxa de prenhes e com aproximadamente 20% de taxa de descarte, a menor taxa entre todas que visitamos.

No dia 03 de junho saímos em direção ao Establo Montoro, com 2.800 vacas em lactação, 32 litros por vaca/dia, 18% de taxa de prenhês e 35% de taxa de descarte. Essa fazenda nos impressionou muito pelo profissionalismo da equipe, ainda é uma fazenda muito nova, mas que está se preparando para crescer mais. Sua recria é toda fechada, um manejo impecável de novilhas, uma estrutura física impressionante, com certeza a melhor estrutura de todas que visitamos. Só uma coisa ficou a desejar: as camas eram de colchão e as vacas estavam sofrendo muito mais do que as vacas das outras fazendas. Após esta visita andamos mais 500 km até chegar à cidade de Torreón, cidade mais ao norte, muito mais quente e com chuvas de até 300 milímetros ao ano.

Dia 04 de junho, a primeira fazenda que visitamos foi a Granja Albia com 1.900 vacas em lactação, 35 litros vaca/dia, 15% de taxa de prenhês, 122 CCS e com duas ordenhas por dia. Pertence a um grupo que possui mais três fazendas e tem a recria em um local apenas. Um rebanho muito uniforme, com poucas vacas doentes, muita saúde, uma fazenda que administra muitos números. Ainda na parte da manhã andamos mais uns 50Km e chegamos a uma fazenda toda cercada de muros em uma região muito pobre, com seguranças fortemente armados... estávamos na maior fazenda de leite do México! Com 18.000 vacas em lactação, 32,9 litros de leite por vaca/dia, 17% de taxa de prenhês, duas ordenhas ao dia em 5 salas de ordenhas separadas, realmente muito fora da nossa realidade. Por ter muito leite, eles o condensam (retiram a água) e vendem o leite em menores volumes, mais concentrado, mas mesmo assim desde a hora que chegamos até irmos embora tinha muitas carretas carregando leite, uma atrás da outra. Nessa mesma fazenda nos deparamos com a maior ordenha rotatória do mundo, com 100 postos. Além do leite, eles têm um confinamento ao lado com mais de 80.000 bois confinados. Uma verdadeira cidade! Lá pelas 3 horas da tarde é que fomos lanchar, uma vez que os mexicanos não almoçam. Estávamos no Establo Dulma, com 1.600 vacas em lactação, duas ordenhas e 33 litros por vaca/dia, 157 de CCS e 17% de taxa de prenhes, se mostrou uma fazenda muito boa em suas instalações, realmente muito bem feita, mas que hoje está em um momento de pouca manutenção.

Dia 05 de junho saímos bem cedo para mais duas propriedades. A primeira foi o Establo Yunclillos, com 5.000 vacas em lactação, 35,5 litros de média, 20% de taxa de prenhês, 120 de CCS, ordenhando três vezes por dia em duas ordenhadeiras. Uma fazenda bem organizada, muito bem cuidada e com um bom manejo, foi uma visita muito rápida, mas bem proveitosa. Após andarmos mais uns 150 Km, chegamos ao Establo Chilchota. Lá tivemos que deixar nossos documentos para poder entrar, uma fazenda com 15.000 vacas em lactação, 32 litros de média, 20% de taxa de prenhes e 200 de CCS. Com 9 salas de ordenha, está preparada para crescer ainda mais um pouco, e o mais interessante dessa fazenda é que eles compram quase todas as vacas dos Estados Unidos, uma vez que é bem próximo. As novilhas são inseminadas com sêmen sexado de holandês, mas as vacas são 100% inseminadas com sêmen de gado de corte, como Aberdeen e Charolês, dentre outros. Passamos por um lote de primíparas de cair o queixo, um gadão!

No final do dia, com a graça de Deus, embarcamos para o nosso Brasil!

Nosso ponto de vista: As fazendas mexicanas superaram nossas expectativas, não fomos preparados para ver tamanho profissionalismo e tamanha quantidade de leite nessas fazendas. Com chuvas variando entre 250 e 600 milímetros por ano, todos tem poços artesianos, quase todos compram silagem de milho, e olha que a produção de milho é muito grande, variando de 70 a 88 toneladas por hectare. Eles têm milho floculado em todas as fazendas que fomos, e acho que para fechar a alimentação com chave de ouro, todas as fazendas dão alfafa para suas vacas, e as lavouras são irrigadas por inundação. Os modelos de barracão para as vacas são todos iguais, poucas tem camas, a grande maioria tem uma cobertura e um tipo de composto para elas ficarem. A saúde das vacas nos chamou muito a atenção, tem pouco problema de casco, as vacas são menores e muito resistentes ao calor, nesses dias passamos por temperaturas de até 38 graus. Outro ponto interessante foi a segurança das fazendas, todas tinham um portão, ficavam dentro de cidades ou patrimônios, com muros altos e seguranças na entrada. Todas as fazendas tinham pasteurizador de colostro, uma novidade para a maioria dos visitantes. Por se tratar de fazendas muito grandes e com vacas por todo lugar, os funcionários andam de bicicleta e tem carrinhos para carregar medicamentos e botijão de sêmen. As vacas são muito adaptadas ao clima do lugar, não vimos ventiladores nem aspersão nos barracões, mas só de colocar uma cobertura, cai aproximadamente 10 graus de temperatura. As vacas produzem muito e emprenham bem, com média de 22% de taxa de prenhês. Foi muito válida essa viagem, fora do eixo Estados Unidos - Canadá, em regiões com condições um pouco mais aproximadas às nossas. Temos muitas diferenças com relação aos mexicanos, mas uma delas é notável: não temos muitas fazendas no Brasil com mais de 1.000 vacas em lactação... eles são muito mais corajosos que nós!

Agradeço ao Chico e ao Bruno da CRI, pela super atenção dispensada a todos nós, aos meus colegas de viagem Leonardo e Felipe da Sekita agronegócios, ao Fernando Stedile do Rio Grande do Sul, Junio Santos, Lucas Rabbers, Sr. Teunis e Solano da região de Castro, Marcelo e Michel de Minas Gerais e ao meu gerente Pedro Henrique. Espero, em uma outra oportunidade, fazer outra viagem proveitosa e agradável como esta.

Texto: Reinaldo Carlos Figueiredo

Revisado: Vanessa Bortolanza Figueiredo


Veja todas as notícias


2018 - Fazenda Figueiredo - Todos os direitos reservados.
Rua A - Quadra 48 - Lote 10 s/n - Setor Noroeste - Caixa Postal 01 - CEP 73850-000 - Cristalina - Goiás - FoneFax - (61) 3612-1480