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MPF OTILIA MELISSA ROY-2EX-90

Escolhida para ser a nossa segunda "vaca do mês", a MPF OTILIA MELISSA ROY-2EX-90, EEVEE, uma das nossas primeiras vacas excelentes, conta um pouco da história da Fazenda Figueiredo em seu pedigree (Roy X Marker X Astre X Lincoln).

Nascida no ano de 2004, MPF OTILIA MELISSA ROY-2EX-90, traz em sua origem materna a linhagem Canadense. Sua mãe é fruto de um grupo de vacas e embriões importados pelo antigo projeto da Coodapar do Estado do Paraná. Esse projeto tinha o intuito de melhorar a genética dos criadores de gado holandês do estado, e para isso foi escolhido um grupo de técnicos, entre eles meu amigo Dr. Newton Goy Kimura, que foram ao Canadá e trouxeram dezenas de embriões e algumas vacas, no ano de 1995. Esse material genético foi se difundido entre os criadores do Paraná, foram multiplicados, e posteriormente disseminados entre os produtores, fazendo acontecer o que o projeto inicial contemplava. Na região de Castro, sei de diversas vacas importantes com origem nesse projeto, e recentemente descobri uma família de vacas muito grande no Estado de São Paulo, também fruto desse projeto. Esses animais que foram introduzidos no Brasil realmente aceleraram nosso ganho genético na raça holandesa.

Em meados de 1995, com 8 anos de criação, meu pai, Luiz Carlos Figueiredo, tinha um rebanho muito simples, com muitas vacas de origem desconhecida, e foi incentivado pelo veterinário Newton Kimura a comprar uma vaca e alguns embriões do projeto da Coodapar para melhorar a genética da propriedade. A vaca importada que ficou para meu pai foi a ROYLIER LINCOLN JESS QE, que teve 5 partos e 5 filhas, foi a primeira vaca a fazer a técnica de transferência de embriões pelo meu pai em 1998, e umas das primeiras no norte do Paraná. Ela morreu em 2003, sacrificada por membros do conselho técnico do ministério da agricultura, por se tratar de uma vaca importada do Canadá, país que tinha descoberto a contaminação da vaca louca. Com medo de contaminação no Brasil, o ministério da agricultura "inocentemente" mandou matar todas as vacas oriundas do Canadá.

Na primeira TE, de 1998, feita com o touro DUREGAL ASTRE STARBUCK-ET, nasceram duas fêmeas e dois machos, um desses machos foi reprodutor da propriedade, e as duas fêmeas tiveram somente uma filha cada, uma das filhas foi a MPF HORTEGA JESS D.STARBUCK TE-B-78, vaca que deu três partos e somente uma filha, sua classificação foi de 78 pontos somente, evidenciando aí a dificuldade que meu pai teve para criar esse tipo de gado em uma propriedade que não dava muito conforto. Meu pai, como proprietário, não tinha experiência e nem mão de obra qualificada para manejar esse tipo de animal. Já com sua filha MPF MELISSA HORTEGA MARKER-MB 87, foi diferente. O Jomaro, que está conosco há 25 anos, estava fazendo muitos cursos e tinha armazenado um pouco de experiência, o que resultou em melhor desempenho das vacas daquela geração. Logo em seguida, quando eu formei em veterinária, iniciamos uma nova fase de grandes mudanças na propriedade. A Melissa teve três partos, e no seu terceiro parto participou de um torneio leiteiro da região, na IV Expolari, e teve produção de 48,7 litros de média. Teve a terceira melhor produção daquele torneio, foi um momento de grande emoção, pois também tínhamos conquistado o prêmio de grande campeã com outra vaca, e logo após Melissa obteve classificação de MB-87 pontos. Sua única filha foi a vaca MPF OTILIA MELISSA ROY-2EX-90, nossa vaca de interesse.

Otilia nasceu em março de 2004, e como a maioria das filhas do Roy, teve muitos problemas até passar a idade de bezerra. Como novilha era pequena e não mostrava muita coisa. Ela foi inseminada com 16 meses com o touro Braedale Goldwyn, e nasceu um macho em maio de 2006. Nessa primeira lactação produziu 6.176 litros em 298 dias, com média de 20,72 litros por dia, e não foi classificada, mostrando assim seu baixo desempenho. No dia 02/03/2007 ela fez parte da sexta viagem junto com mais 25 vacas para a Fazenda Figueiredo em Cristalina-GO, e teve uma lesão no casco anterior esquerdo, ficando por diversos dias mancando. Seu segundo parto foi em maio de 2007, com intervalo entre partos de 353 dias, nasceu outro macho, do touro Delta Canvas, e produziu 8.007 litros em 312 dias, com média de 25,66 por dia. Ela sofreu muito, o que fez sua lactação ser bastante crescente até quase o encerramento, e foi classificada B+83 pontos. Em seu terceiro parto foi a grande descoberta como vaca, ela pariu outro macho, do touro Sandy-Valley Bolton, e produziu 14.571 litros em 365 dias, com média de 39,92 litros por dia, e foi classificada MB-86 pontos, com destaque para a classificação de excelente para sistema mamário. No quarto parto pariu uma fêmea do touro Stouder Morty-ET, produziu 14.061 litros em 365 dias, com média de 38,52 litros por dia, e foi classificada EX 90 pontos, dando ênfase para EX no sistema mamário. Foi quando decidimos iniciar sua carreira nas pistas, a levamos para a exposição de Goiânia, na qual conquistou o prêmio de reservada campeã vaca adulta na LXV EXPO GOIAS 2010, terceiro melhor úbere adulto na LXV EXPO GOIAS 2010, e fez parte do segundo melhor conjunto de vacas leiteiras na LXV EXPO GOIAS 2010. Em seu quinto parto pariu outra fêmea, do touro Pursuit September Storm, produziu 13.781 litros em 350 dias, com média de 39,37 litros por dia, e novamente foi classificada EX-90 pontos. Pela terceira vez foi classificada EX para sistema mamário, e novamente a levamos para exposição em Goiânia, na qual foi campeã vaca vitalícia na XLVIII EXPO/GOIANA 2011, segundo melhor úbere adulto na XLVIII EXPO/GOIANA 2011, e fez parte do melhor conjunto de vacas leiteiras na XLVIII EXPO/GOIANA 2011,

Depois dessa história, fico mentalizando o quanto podemos fazer para uma vaca... Otilia nos mostra que após tantos sofrimentos é possível se chegar a uma boa performance, tanto em leite como em tipo... genética é assim! Se der um manejo ruim, a genética não irá manifestar todo o potencial, mas ao passo que se melhora o manejo, automaticamente as condições vão ficando favoráveis e a genética se expressa. Isso é algo mágico, que bom se todos criadores pudessem dar as melhores condições de manejo para suas vacas, tenho certeza de que muitas e muitas Otilias apareceriam em nosso país. No momento ela se encontra seca, com produção total nesses cinco partos de 63.376,60 em 1.945 dias, com média de 32,58 litros por dia, e está na maternidade, prenha de Regancrest Dundee, pronta para seu sexto parto.

 

Texto: Reinaldo Carlos Figueiredo, revisado por Vanessa Bortolanza Figueiredo


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